sábado, 7 de fevereiro de 2009

Dia de Personal

Toda segunda era dia de malhar, logo cedo. Para ela, a semana começava assim. Levantou ao primeiro toque do despertador, tomou um banho demorado, prendeu cuidadosamente os cabelos, passou um batom leve, depois vestiu a roupa justinha e olhou-se no espelho. "Cada vez melhor", pensou. E tudo graças ao treino que vinha fazendo há quase um ano.

A campainha tocou, era o personal! Mas por que ela estava tão animada? Para fazer exercícios, logo na segunda-feira de manhã? Claro que não! Ela estava animada porque estaria com seu Personal Trainer novamente e ele era lindo. Moreno, alto, o corpo esculpido em músculos perfeitos. Um verdadeiro Deus grego! E além de ser lindo-maravilhoso ele era simpático. E meigo! Tinha o olhar um pouco ingênuo que era o que mais a encantava. Ele era mesmo tudo de bom e por isso ela acordava tão cedo e tão animada às segundas-feiras para recebê-lo.

Abriu a porta e ele entrou com seu sorriso encantador, cheio de dentes perfeitos. Cumprimentou-a com um beijinho e logo iniciaram o treino. Sempre que podia, ela dava uma mirada discreta em alguma parte do corpo dele. Tinha uma tatuagem no ombro que às vezes dava para entrever pela camiseta. Durante os exercícios abdominais, a cada vez que subia tentava ver a tatuagem e ficava imaginando como seria lamber aquele ombro musculoso. Começaria lambendo a tatuagem em movimentos circulares, passando pelo pescoço, indo em direção àquele maravilhoso tríceps, passando depois pelo bíceps perfeito de atleta e de lá sua lingua seguiria ávida até o tórax... hummmm... Mas agora os músculos que importavam mesmo eram os abdominais: Os dela. E ela subia e descia, sofridamente, enquanto ele contava seus movimentos e ordenava que continuasse. Como não obecer às ordens de um deus! E assim sua barriguinha ia ficando cada vez mais definida. Mais um, mais um, nada de moleza! Que dor, que cansaço, que nada! Vamos lá que você aguenta! Ele dizia. E ela subia e descia. Continua! Não vai parar agora! Mais um que você aguenta! E ela obedecia...

Depois ele resolveu dar ênfase nos glúteos e coxas. Ela nem fazia muita questão, achava que essa parte já estava boa, mas ele insistiu. Ela ficou imaginando que talvez ele quisesse deixá-la mais gostosa. Por que ele iria querer isso? Seriam recíprocos seus desejos lascivos? Apoiada de quatro no chão, ela subia e descia as pernas e ficou pensando se ele olhava para sua bunda. E quanto mais achava que ele poderia desejá-la, mais se empenhava nos movimentos. Subindo... Descendo... Chega de moleza, vamos lá! Levanta essa perna direito, mais alto! Ele dizia. E ela imaginava ele chegando por trás e agarrando seus quadris com aquelas mãos enormes e poderosas. E as mesmas mãos abaixando sua calça pra que a boca pudesse beijar suas nádegas, a língua percorrendo o rego até chegar...

Agora chega desse exercício, vamos para os agachamentos, ele disse em tom autoritário. Subindo... Descendo... Mais força nessa perna! Mais um que você aguenta! Agora ela estava de frente para ele, olhos nos olhos e imaginou-se sentando sobre ele... Subindo... Descendo... Olhos nos olhos e assim suas coxas iam ficando cada vez mais poderosas. Mais rápido, mais rápido, está muito devagar! E ela se esbaforia para tentar corresponder ao que ele ordenava, mas ele sempre exigia mais e mais e mais....

Na semana seguinte, comprou uma roupa nova, mais justa e sexy, ligeiramente transparente, para ver se ele teria alguma reação. Será que ele vai ficar olhando? Enquanto ele demonstrava um novo tipo de abdominal, ela pode deleitar-se com uma visão privilegiada de suas coxas super-definidas, que escapavam do short nos movimentos de vai-e-vem. Pareciam duras como vigas de concreto, mas ao mesmo tempo a pele bronzeada parecia tão suave... Logo começou a imaginar suas mãos acariciando aquelas coxas, sentindo seus pêlos macios e percorrendo o caminho proibido do prazer...

- O que você vai fazer no Fim-de-semana? Ele perguntou.
- Como? Ela respondeu, espantada.
- Se não tiver compromisso, podíamos sair, tomar um chopp ou pegar um cineminha, o que acha?
- Eu sou casada.
- Ah, desculpe, eu não sabia, você não usa aliança...
- É.

E então a aula prosseguiu em silêncio, até o final. Na verdade, ela não era casada. Nem namorado tinha. Mas se saísse com ele, realizaria suas fantasias. E sem as fantasias, que graça teriam aquelas aulas depois? Melhor mesmo que ficasse só na imaginação.

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